O cenário de crédito para quem está negativado mudou rapidamente entre 2025 e início de 2026. Com recordes de restrição (73,49 milhões de negativados em dezembro de 2025 segundo CNDL/SPC) e sinais de maior demanda por crédito, surgem novas alternativas que combinam regulação, tecnologia e programas públicos.
Nesta reportagem abordamos as principais novidades , da portabilidade via Open Finance ao microcrédito do Programa Acredita, do consignado ampliado para trabalhadores formais às inovações de fintechs com dados alternativos e IA , e o que elas significam para quem busca alternativas de crédito para negativados em 2026.
Open Finance e a portabilidade 100% digital
Em 3 de fevereiro de 2026 foi lançada ao público a portabilidade de crédito pelo Open Finance, que permite transferir empréstimos pessoais “clean” de um banco a outro de forma 100% digital. A novidade reduz tempo e custo da portabilidade, tornando mais ágil a busca por melhores taxas.
A adoção do Open Finance já vinha crescendo: o Brasil registrou cerca de 128 milhões de consentimentos ativos ao final de 2025, escalando o uso de dados para ofertas de crédito personalizadas. Especialistas destacam que “O diferencial brasileiro é a capacidade de transformar regulação em valor tangível”, realçando o papel regulatório para criar produtos de crédito mais competitivos.
Para negativados, a portabilidade pode não resolver todos os casos, mas abre caminho para renegociações em condições melhores e para a migração de operações que não estejam vinculadas a restrições. Em conjunto com outras ferramentas, torna-se um componente importante das alternativas de crédito para negativados.
Microcrédito do Programa Acredita via CAIXA (piloto Conquista + CAIXA)
O microcrédito do Programa Acredita, lançado no piloto “Conquista + CAIXA” em 9 de fevereiro de 2026, atende beneficiários do CadÚnico em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Os valores do crédito variam de R$ 500 a R$ 21.000, com IOF zero e taxa baseada na SELIC + até 2% ao ano.
O programa tem prazo reduzido (4 a 12 meses) e garantia do FGO, sendo voltado ao público de baixa renda. A modalidade aceita negativados conforme análise, o que amplia o leque de alternativas de crédito para negativados que dependem de linhas públicas e garantias estatais.
Como disse Carlos Vieira, da CAIXA: “Com o Governo Federal garantindo este financiamento, conseguimos trabalhar com taxas de juros menores.” Essa articulação entre garantias públicas (MP nº 1.213/2024) e oferta direta por bancos estatais mostra como políticas públicas podem reduzir custos e risco para concessão a perfis vulneráveis.
Programa Acredita e outras linhas públicas
O Programa Acredita resulta da MP nº 1.213/2024 e reúne várias linhas e garantias, entre elas Acredita no Primeiro Passo, Procred/Procred 360 e medidas para o mercado secundário de crédito imobiliário. O objetivo é ampliar crédito produtivo e renegociação para públicos vulneráveis.
Além do microcrédito, a CAIXA aderiu ao Procred 360 para ofertar crédito a MEIs e microempresas com regras facilitadas, ampliando canais de concessão em pontos físicos e digitais. Essa cooperação público-privada amplia opções para empreendedores que têm restrição no nome.
Para quem está negativado, as linhas do Programa Acredita podem abrir portas quando combinadas com garantias públicas e análise técnica cuidadosa, sobretudo para operações produtivas e de recuperação de crédito.
Crédito do Trabalhador e consignado ampliado para o setor privado
A MP/Lei de 2025 instituiu a plataforma digital (CTPS Digital / eSocial) que começou a operar em março/abril de 2025 e permitiu a criação do Crédito do Trabalhador , consignado para o setor privado com uso de até 10% do saldo do FGTS como garantia. A novidade facilita tanto concessão quanto migração/portabilidade entre bancos.
Ao permitir o uso parcial do FGTS como garantia, o mecanismo amplia a capacidade de concessão a trabalhadores formais e MEI, inclusive a quem tenha restrições de crédito, desde que a garantia e a análise de risco possibilitem a operação.
Essa alternativa demonstra que, além de linhas públicas específicas, instrumentos de garantia e plataformas digitais podem reabrir acesso ao crédito para muitos negativados que hoje encontram barreiras nos produtos tradicionais.
Fintechs, dados alternativos e modelos de risco com IA
Fintechs vêm incorporando open banking, comportamento digital e outras fontes de “alt‑data” para avaliar risco de consumidores negativados. Plataformas que adotaram motores de decisão como Provenir usam IA para combinar dados e ampliar ofertas com modelos não hegemônicos.
O uso de dados alternativos permite captar sinais econômicos e comportamentais que os modelos tradicionais não veem, ampliando score para parte dos negativados e criando propostas personalizadas. Isso tem motivado um crescimento de produtos que atendem perfis de menor renda.
Há ganhos de inclusão, mas também desafios: é preciso transparência nos modelos, proteção de dados e regulação adequada para evitar discriminação ou decisões automatizadas sem revisão humana, sobretudo quando o público é vulnerável.
Varejo, crediário e o movimento entre consumidores negativados
O crediário no varejo seguiu em crescimento entre 2025 e 2026. Levantamentos de fintechs de crediário mostram aumento da demanda , por exemplo, Top One Financeira registrou +6,8% no fim de 2025 e 40 mil buscas por crédito em dezembro, das quais 19 mil foram de consumidores negativados.
O varejo costuma ser uma alternativa prática para negativados, oferecendo parcelas e cartões privados ou financiamentos internos que não dependem estritamente de score bancário tradicional. Essas soluções, quando bem reguladas, podem permitir circulação econômica e recuperação de crédito.
No entanto, consumidores devem analisar juros e condições; nem todo crediário é benigno. Há espaço para produtos responsáveis que combinem flexibilidade, transparência e planos de renegociação para evitar recaídas no superendividamento.
Proteção ao consumidor e a fiscalização contra ofertas predatórias
Com o aumento de produtos destinados a públicos vulneráveis, órgãos como MP‑Procon intensificaram a fiscalização. Instituições que prometem crédito “mesmo se estiver negativado” sem uma análise responsável têm sido autuadas para coibir práticas predatórias.
A Lei do Superendividamento (Lei 14.181/2021) e ações de fiscalização orientam que ofertas devem ser transparentes, com avaliação de capacidade de pagamento. Reguladores tendem a restringir produtos que exponham consumidores a risco excessivo de endividamento.
Portanto, entre as alternativas de crédito para negativados, ganha destaque não apenas a disponibilidade do produto, mas a responsabilidade na oferta, a educação financeira e mecanismos de renegociação que protejam o consumidor.
Nos próximos meses de 2026, o mix entre regulação (Open Finance, Acredita), garantias públicas, plataformas digitais e modelos de risco alternativos deve ampliar as opções para quem está negativado. Ainda assim, é fundamental equilibrar inclusão com proteção contra práticas predatórias.
Consumidores negativados devem buscar informação, comparar propostas (inclusive pela portabilidade digital), avaliar garantias possíveis (como FGTS em consignado) e priorizar produtos transparentes. As novas alternativas de crédito para negativados oferecem esperança, mas exigem atenção e escolhas conscientes.









